Sábado, Fevereiro 02, 2008
Terça-feira, Novembro 20, 2007
Carros
Somente a partir dos anos 80 é que começamos a pensar seriamente sobre o quanto os humanos influem de forma negativa no meio-ambiente. Hoje, o setor de transportes é o terceiro maior responsável pela emissão de GEE’s (Gases de Efeito Estufa), perdendo somente para a indústria pesada e para a pecuária extensiva, até cinco anos atrás automóveis ficavam atrás somente da indústria, da qual, ironicamente, as montadoras de carro fazem parte. Esse setor também é a causa de uma massiva destruição de florestas e outros habitats naturais devido à construção de locais para a circulação de veículos. Pode-se dizer então que isso caracteriza uma forma de desprezo pelos que não têm a capacidade de usufruir desse luxo e apenas são prejudicados com isso: as classes baixas, animais, índios, crianças, idosos e a biosfera de modo geral.
A mais-valia, no conceito marxista, é praticada em sua forma mais pura nas montadoras de todo o mundo. Ao implantar a linha de montagem, Henry Ford tornou claro o significado de exploração e alienação no trabalho. Esse sistema consiste em fazer com que o carro na fábrica passe por uma esteira automática com uma velocidade pré-definida, o que faz com que os operários sejam obrigados a completar suas tarefas o mais rápido possível para que a esteira o envie ao próximo setor que dará continuidade ao processo. Os trabalhadores tornaram -se especializados em uma única função e não eram responsáveis por nada mais do que possibilitar que o carro passe ao próximo estágio de fabricação. Dessa forma Ford possibilitou com que a indústria se tornasse mais dinâmica: os homens trabalhavam mais rápido, produzindo mais sem ganharem mais por isso, já que permaneciam trabalhando pelo mesmo tempo.
É basicamente daí que a indústria automobilística se firmou como uma das mais inescrupulosas do mercado, sendo assim óbvio perceber o porquê desta ter o maior contingente de sindicatos trabalhistas, os operários passaram a se organizar para exigirem melhores condições de trabalho.
O filme “Tempos Modernos” de Charlie Chaplin satiriza com primor a alienação em uma indústria que se utiliza da linha de produção. Nele, Charlie é um operário encarregado de apertar as peças que correm pela esteira com uma espécie de alicate, e o faz tantas vezes e tão rapidamente que quando seu turno termina, ele continua a realizar o mesmo movimento com os braços involuntariamente. O chargista Bob Thaves é outro crítico ferrenho do sistema capitalista e já tratou do assunto 'linha de produção' com maestria em uma de suas charges. Um velho operário se dirige a outro: amigo, amanhã é meu último dia de trabalho, vou me aposentar depois de 45 anos de empresa e vou realizar um sonho que tenho há muito tempo. O outro o questiona: o que? E o velho responde: vou até o fim da linha para descobrir o que fazia durante todos esses anos.
-Do Toyotismo
Aos poucos o fordismo vem sendo substituído por um novo sistema que com a diminuição do custo da maquinaria pesada tem se tornado mais lucrativo: o toyotismo. Como o nome sugere, este é uma invenção da montadora japonesa Toyota e nada mais é do que a substituição de pessoas por robôs, maximizando assim a eficiência já que máquinas não pensam apenas realizam minuciosamente as instruções dadas por quem as programou, são mais rápidas, não param por muito tempo, não exigem salários ou melhores condições de serviço, não estão sujeitas a emoções e raramente falham. Com isso a indústria que adere ao toyotismo pode substituir dezenas ou até centenas de trabalhadores humanos por um ou dois robôs e computadores e apenas um engenheiro responsável pela manutenção deles, o resultado é um aumento massivo do desemprego.
-Da Questão Social
Propagandas de carro costumam ter slogans muito emblemáticos na questão da dialética marxista. Uma dessas propagandas que é exibida atualmente na televisão aberta diz: quem dirige um “Ford Fusion” fez por merecer. A idéia que as montadoras de carro querem passar é a de que carros são uma espécie de identidade: você é o que você dirige. Mas não é necessária uma grande vivência no mundo empresarial para que saibamos que hoje o salário do indivíduo não é proporcional ao seu trabalho, uma idéia um tanto ilusória já que não somos capazes de estipular o valor monetário de certos serviços. Hoje nos parece lógico que “peões de obra” ganhem menos que cientistas ou médicos, mas não para Marx que versava sobre a construção social que nos levou a acreditar nisso. Segundo Marx na verdades são esses primeiros e outros das classes baixas que possibilitam que esses dois últimos, em uma quantidade muito menor ganhem salários absurdamente desiguais em relação ao proletariado. Essa é a essência da dialética marxista, o imenso pré-conceito daquele bordão característico entre os pobres e a burguesia: ainda serei rico. A riqueza só pode ser estabelecida à partir de uma referência lógica, pessoas ricas só existem porque existem pessoas pobres e sendo o carro um dos maiores referenciais de riqueza e status social esse tornou-se uma arma de intimidação na luta de classes.
-Do Sexismo
Apesar dos automóveis terem se tornado bens economicamente mais acessíveis, ainda somos bombardeados por um marketing de público alvo extremamente restrito. Os donos dos carros de luxo em propaganda são majoritariamente homens, caucasianos e heterossexuais. Mulheres quando aparecem, estão lá apenas como outro bem de consumo do dono do carro, enfeitando o banco do carona como um bibelô sexual responsável por satisfazer os desejos do macho em seu delírio ególatra onde o carro não é capaz. Algumas feministas referem-se a carros como os “Grandes Falos”, instrumentos de opressão misógina, símbolos do poder masculinista e heteronormativo, feitos por homens para homens.
-Da pseudo-dependência
Como tantos outros produtos modernos, criamos uma dependência dos automóveis. Hoje já é inimaginável uma sociedade sem televisores, computadores, lâmpadas e carros. E essa dependência vem em detrimento de nossa saúde e de nossa vida social, afinal quantos preferem ir a pé se exercitando ou de ônibus conversando para o trabalho ao invés de irem confortavelmente em seus carros ouvindo música alta, trancafiados e alheios ao mundo externo. Na pós-modernidade escolhemos os carros como nossas prisões pessoais, prisões sobre rodas.
I feel safest of all
I can lock all my doors
It's the only way to live in cars"
Quarta-feira, Agosto 15, 2007
O Cético
“Retardado.” Era como chamavam Fred na escola. De fato, por ser quieto e calmo, seus pais chegaram a suspeitar que ele tivesse algum problema. Mas não, era apenas um garoto de poucas palavras. E sorridente. Independente do local ou da situação tinha sempre um sorriso no rosto, o que lhe atribuía um aspecto bobo, reforçando a sua imagem de criança inofensiva. Ele tinha um irmão mais velho: Lúcio, um rapaz inteligente e comunicativo, mas prolixo, sempre discutia sobre qualquer assunto com amigos e professores, seu orgulho nunca permitiu que desse razão a outra parte. Um de seus passatempos era explicar ciências a seu irmão, que pouco comentava, mas ouvia e observava com atenção enquanto Lúcio discursava e gesticulava.
Certa vez a mãe de Fred recebeu uma promoção em seu emprego, passaria a ganhar bem mais e seria transferida para outro estado. Fred ficou arrasado, tinha sido difícil para ele conquistar seus poucos amigos, imaginou então o quão dura seria a sua vida na nova cidade. Mudaram-se e seus temores se concretizaram: a escola era estranha, as aulas enfadonhas e sua casa um labirinto. Passou um bom tempo melancólico e sem amigos.
Alguns meses depois, Fred ouviu de sua mãe que passariam as férias no litoral. Permaneceu indiferente até as últimas horas de viagem quando notou como era bonita a vista. Seus olhos brilhavam observando a serra, as florestas e o mar ao fundo. Nem seu irmão falando dos liquens nas árvores ou da composição da água marinha tirou sua atenção. Ao chegarem Fred encantou-se ainda mais com o lugar: as ondas calmas e constantes, a areia branca e quente, os montes que diminuíam com a maré. Era tudo novo para ele. Sua mãe estava contente em ver seu filho sorrir de novo. Fred fez amizade com os filhos de outros turistas alojados no mesmo apartamento e depois de alguns dias já não se desgrudavam.
As férias na praia duraram duas semanas e no dia de partir Fred já estava novamente com aquele semblante triste que o marcara nos meses que antecederam a viagem. Sua mãe então o pegou pela mão e levou-o até a areia onde, depois de procurar por um tempo, encontrou uma enorme concha em espiral e entregou ao garoto dizendo que com ela poderia ouvir o barulho do mar e assim lembrar de suas férias. Fred então colocou a concha no ouvido e sorriu.
A concha tornou-se para ele um refúgio, ele já não estava tão triste como antes, graças àquela concha, que era levada ao ouvido sempre que algo o magoava. Um dia durante o jantar, a mãe e o pai de Fred discutiam seriamente com gritos e gestos. Ele então levou a mão ao bolso e pegou a concha. Seus pais pediram que os irmãos se retirassem. Ao chegar a seu quarto foi questionado por Lúcio sobre aquela concha, ele não respondeu e seu irmão saiu pensando, mais uma vez, como era retardado aquele garoto.
Dias se passaram até que Fred fosse novamente abordado por seu irmão quando estava com a concha no ouvido. Ele perguntava o motivo que o levava a fazer isso. Dessa vez o garoto respondeu que dessa forma conseguia ouvir o barulho do mar. Lúcio pôs-se a rir, puxou a concha de sua mão, pegou um copo e colocou bruscamente no ouvido de Fred. Tirou-o e fez o mesmo com um vaso de cerâmica dizendo que ouviria um som semelhante em qualquer objeto oco devido à movimentação do ar e que não havia nada de especial na concha, que era apenas a antiga proteção de um animal que se locomovia com aquilo nas costas. Dito isso deixou o menino sozinho que após alguns segundos catou a concha do chão e levou-a novamente ao ouvido. Assim pôde ouvir o suave som do mar, como não ouvira no copo nem no vaso de cerâmica. Ele então descobriu, mesmo que não soubesse expressar, a importância da renúncia, a única ação acessível a qualquer pessoa. Ele poderia então rejeitar convenções e consensos para fazer valer tudo o que podia tocar e sentir. Não havia problemas em aceitar simplesmente viver em detrimento daquilo que foi construído como “aprendizagem”. A felicidade era alheia a tudo aquilo que aprendera na escola e a tudo aquilo que ouvira de seu irmão. Com a concha no ouvido estava novamente calmo e, mesmo que não muito feliz naquele instante, podia sorrir.
Sábado, Julho 21, 2007
Manifesto Antiprogresso
Na visão cristã/antropocêntrica o planeta Terra é o lar dos seres-humanos, únicos seres dotados de alma e que por isso e/ou que por terem maior capacidade intelectual, devem sobreviver em detrimento das demais espécies. Em um desses delírios antropocêntricos, fomos capazes de criar um termo que só se aplica a nossa espécie: progresso. Partindo da pressuposição de superioridade humana, não enxergamos fronteiras para ele. De fato algo exclusivamente humano, mesmo que alguns vejam progresso em macacos que imitam banhistas ou golfinhos que se reconhecem no espelho. Gostamos de nos diferenciar das demais espécies por esse progresso, este que sempre vem às custas desses animais e do planeta. “Quanto à medicina e à agricultura ecológica?” Somos as únicas espécies com tais recursos a disposição, dessa forma temos um diferencial atípico para que possamos competir no meio natural por terra e recursos e obviamente, prevalecermos com larga diferença. Todos os habitantes do planeta viviam/vivem/viverão em perfeito equilíbrio sem nenhuma forma de tecnologia. Mas os humanos ao darem-se ao luxo de aprimorarem tais técnicas além de tal competição desleal degradam categórica e massivamente o meio onde vivem e viveram todos os terráqueos que sempre dividiram tal espaço conosco sem conflitos.
As tecnologias são desenvolvidas com o intuito de tornar a vida mais simples e prática. Não é de costume haver questionamentos a respeito da possibilidade de tal conforto ser produto da morte de animais ou da destruição do meio-ambiente. Dessa forma nos posicionamos em prol do expansionismo predatório: criamos carros para facilitar a locomoção, vacinas para evitar doenças, televisões para entretenimento, prédios para abrigo. E o único beneficiado de tudo é o próprio homem. Veterinários e ecologistas? Tais profissionais só têm seus trabalhos garantidos em função de nossos próprios problemas, criamos a doença para fornecer a cura e hipocritamente, chamamos isso de mais progresso.
E nossas perversões no planeta não se limitam a técnicas e tecnologias, mas aos costumes, tão fortemente defendidos pelo simples fato de serem costumes. A conivência embruteceu toda uma raça. O especismo é o exemplo mais imediato. Tomamos por normais hábitos nefastos como a utilização de animais para consumo humano, em especial o onivorismo, a forma mais detestável de especismo por ser consensual no planeta (“não há nada de mal em matar animais para comer”). Mergulhados na ignorância são capazes de se comparar com leões e cervos, tubarões e peixes, aranhas e moscas. Ignoram que todos dependem do assassinato de outros para sua sobrevivência. Diferente da raça humana que tem no hábito de se alimentar de animais um luxo, um costume fútil e desprezível, reflexo de um comodismo estúpido em que se enquadra a imensa maioria das pessoas no planeta, mesquinhas, insensíveis e incapazes de raciocinar, não por natureza, mas por condicionamento. Condicionamento este que tem sido extremamente feliz em sua investida para perpetuar a cegueira generalizada posto que o onivorismo, bem como o consumo de leite e ovos, não apenas é defendido como costume, mas pelo didatismo tendencioso: indivíduos formando-se nas melhores escolas e faculdades do mundo acreditando piamente que não há nada de errado em tais hábitos. Pesquisando inclusive novos e mais produtivos meios de se explorar animais. Ignorada com certa freqüência, porém, a pecuária como um dos maiores problemas ambientais do planeta, por exemplo.
Animais são de fato as maiores vítimas do progresso, como disse Henry Beston, “nós os padronizamos por serem incompletos, pelo seu trágico destino de terem se formado tão abaixo de nós.” Uma idéia presente na mente de quase todos os “superiores homo sapiens”, mas facilmente reprovada quando colocada dessa forma, porém não existe consciência sem ação, o que expõe ainda mais a hipocrisia e a ignorância das populações. Mas o avanço do progresso trouxe a opressão para mais perto, condições físicas, financeiras, profissionais passaram a legitimar a desigualdade entre os próprios homens que se tornaram passíveis de compra e venda. Alguns menos escrupulosos, sempre tidos por mais inteligentes, tomam terras que sempre existiram para si e se vêem no direito de rotular tudo e todos que se encontram e buscam esse local como propriedades suas, dependentes de seus recursos.
Propriedades, um conceito burguês glorificado como o mais alto direito dos humanos, estamos no estágio em que vidas podem ser comparadas com capital e recursos, em que qualquer ação ou opressão, independente dos resultados, pode ser justificada pela construção social em que se está inserido e a conformidade passou a ser a maior forma de conivência. A hierarquização tornou-se dicotômica, sempre um em detrimento de outro. O que torna esse impulso autofágico humano algo natural que não permite contestação? “É a lei da selva!”. Forjaram a efígie do progresso com o minério africano retirado a fórceps, deixaram para trás suor e sangue dos que os serviram. Estigmatizaram o continente com a fome, algo que não existia na África antes da colonização européia: “O sol nunca se põe no Império Britânico”.
Ainda temos crianças escravizadas em linhas de produção, populações que sofrem com a privatização da água, vítimas de poluição, desempregados, refugiados de guerra. Muito disso é apoiado e financiado com base na importância que damos aos nossos direitos, não somos capazes de abrir mão de nenhum sequer. Direitos são sagrados, não há limite de quantos desses podem nos ser úteis, alguns inclusive são defendidos apenas pela estupidez do orgulho: “você quer porque você pode ter!”. E assim damos vazão para as mais cruéis decisões humanas. “Podemos, queremos, desejamos, gostamos”. O livre arbítrio, fetiche humano, nunca foi tão ilusório. Liberdade!®
A evolução da espécie, progressiva como nos é imposta, mostra como humanos evoluíram “acima” dos demais animais e alguns acima de outros humanos. Na representação clássica da teoria evolução vemos um macaco que caminha para a direita e sua postura torna-se cada vez mais ereta, seu corpo com menos pêlos e sua cabeça mais ovalada, ele chega ao fim do processo vestido, reto e confiante. Algumas representações mais abusadas mostram um estágio posterior: um homem de terno, gravata e maleta ou sentado em frente a um computador. Nessa patética iconografia os que estão mais a direita certamente podem olhar para os de trás imponentes, de uma posição mais alta e privilegiada, inclusive o empresário e o conteúdo de sua maleta. Louvem os senhores do progresso!
O filósofo taoísta Lao-Tsé escreveu no século VII a.C. um poema onde conta sobre um antigo ritual religioso chinês em que um imenso cachorro de palha era construído e reverenciado por dias para que, ao término da cerimônia, fosse incinerado. Isso serviu como analogia da raça humana para o filósofo John Gray em seu livro “Cachorros de Palha”, muito bem colocada por sinal. Ascensão e queda. É clara a relação com a história da humanidade, conquistamos o planeta e nos colocamos no mais alto patamar dentre todos os seres, para posteriormente sermos descartados afinal, nossa prepotência selvagem nunca anulou nossa insignificância. Também é claro em que estágio do processo ela se encontra. Há tempos deixamos nosso status de simples terráqueos para nos tornarmos parasitas insaciáveis ao ponto de cavarmos nossa própria cova, e é aí que mora a esperança. É nosso desejo de conquista, poder e progresso o maior responsável por nossa decadência. Não é irônico que o carro, símbolo máximo da engenhosidade humana seja um dos principais causadores do efeito estufa, o que não dificilmente pode levar à extinção da raça? Isso não é preocupante, é digno de comemoração, lamentável é o estado em que deixaremos o planeta ao partirmos para cumprir nosso justo destino. Telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor nunca foram dádivas, mas maldições!
Nós, os cientes dos malefícios humanos na Terra, como a centelha de racionalismo em meio à podridão, sabemos que o abandono do progresso, o retrocesso, o anarco-primitivismo são utópicos. Não abdicaremos de certos frutos do progresso na luta para que o avanço científico e tecnológico não seja sempre colocado à frente da revolução moral e da conscientização biocêntrica. Desde o início de sua história o homem não foi capaz de evoluir em termos éticos, por isso o progresso primordial deve partir e atingir a princípio as mentes, para criarmos uma nova forma de intelecto mais abrangente, desgarrado do antropocentrismo e da religião para então formarmos pessoas de pensamento polivalente que rejeitam o bem-estarismo, o especismo, o dinheiro como única alternativa de redenção humana, o sexismo e a ignorância emocional, para que sejamos capazes de retardar o processo de extinção da espécie sem consumir inconsequentemente tudo o que julgamos útil. Se isso ainda parece ilusório então não há motivos plausíveis para defendermos a permanência dos seres humanos no planeta.